O Prêmio Sexy Hot foi a premiação anual da indústria pornô brasileira, criada, organizada e apresentada pelo Sexy Hot, canal adulto de televisão por assinatura no Brasil. A imprensa brasileira costumava descrevê-lo como o Oscar do pornô nacional, e a comparação diz algo verdadeiro sobre a função dele: era a única cerimônia com calendário fixo, categorias declaradas e cobertura de imprensa capaz de transformar o trabalho de um ano em um título atribuído a uma pessoa com nome próprio.
A origem do prêmio dentro de um canal de televisão não é detalhe biográfico. Ela explica a forma da premiação. Um canal de TV paga que exibe produção nacional tem interesse direto em que exista uma indústria doméstica reconhecível, com nomes que o público identifique de um ano para o outro, e a premiação faz esse trabalho de identificação. Também explica o limite dela: o prêmio nasceu, cresceu e parou dentro do calendário de uma única empresa, sem associação de classe, sem arquivo independente e sem qualquer instância que o mantivesse funcionando quando aquela empresa deixou de realizá-lo.
A escolha dos vencedores combinava duas coisas: voto do público pela internet e um júri técnico. Essa é a descrição que as fontes desta pesquisa registram, e é onde a descrição termina. Quais categorias saíam do voto popular e quais saíam do júri, em que proporção, e se essa divisão mudou entre uma edição e outra são perguntas que nenhuma das fontes localizadas responde. Esta página não preenche essa lacuna com uma reconstrução plausível, porque uma reconstrução plausível de metodologia de votação é indistinguível de invenção.
A primeira edição, realizada em 2014, saiu sob o nome Prêmio da Indústria Pornô, abreviado como PIP. O nome Prêmio Sexy Hot foi adotado a partir da segunda edição, em 2015, e permaneceu até a última. É a mesma premiação sob dois nomes, e não duas premiações — um ponto que importa para qualquer pessoa que procure "PIP 2014" e "Prêmio Sexy Hot 2015" imaginando encontrar duas histórias separadas.
A estrutura de categorias tem uma característica que merece leitura atenta, porque diz algo sobre como a indústria brasileira se organizava. As categorias não eram divididas apenas por função — atriz, ator, diretor, revelação — mas por segmento de produção: Hétero, LGBT e Transexual eram eixos separados, cada um com seus próprios títulos de melhor atriz, melhor ator e revelação do ano. Não se trata de uma categoria principal com apêndices. Trata-se de três circuitos de produção que a premiação reconhecia como mercados distintos, com elencos, produtoras e públicos que só parcialmente se sobrepunham. Uma intérprete podia vencer em mais de um eixo no mesmo ano, e algumas venceram.
Esse desenho tem consequência prática para quem lê o arquivo. Somar todos os títulos de uma pessoa sem olhar em qual eixo cada um foi conquistado produz uma contagem que parece maior do que é, e comparar uma vencedora de Melhor Atriz Hétero com uma vencedora de Melhor Atriz LGBT como se disputassem o mesmo prêmio produz uma comparação que a própria premiação nunca fez. Este arquivo mantém o eixo em cada registro pelo motivo mais simples: era assim que o prêmio funcionava.
Há ainda um terceiro grupo de categorias, as de cena — Melhor Cena De Sexo Anal, Melhor Cena De Sexo Oral, Melhor Cena De Dupla Penetração, Melhor Cena De Fetiche, Melhor Cena De Orgia/Gang Bang, Melhor Cena De Ménage, Melhor Cena Homo Feminina e Melhor Cena Transexual. Elas são atribuídas em conjunto a todos os intérpretes de uma cena, e frequentemente a um filme junto com eles. São, por isso, as mais difíceis de codificar como um registro de vencedor único, e são a parte do arquivo que ficou mais incompleta. A lista completa de categorias documentadas da premiação chega a 20 nomes, incluindo Melhor Filme Hétero, Melhor Título e Melhor Filme "Sexy Hot Produções"; este arquivo tem vencedor identificado para 16 deles.